terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Pérolas - absurdos e ironias da televisão


Há centenas de anos, quando ainda passava Família Dinossauro na Globo, em uma época de eleição, o Faustão foi anunciar que depois de seu inútil programa viria o seriado jurássico e em seguida o programa político, mas se esqueceu, não saía nada e acabou falando “...e depois a Família Dinossauro de novo!” Viram só, até um relógio parado marca a hora certa por duas vezes no dia.

Se você um dia precisar de um orientador, ou de professor para aulas particulares, é só contratar a ‘apresentadora de telejornal’ Ana Paula Padrão. Ele sabe tudo, dá opinião sobre tudo, sabe o que é bom para a elite investir, o que você deve fazer para melhorar a sua vida, em todos os aspectos. E tudo num cinismo assustador, de quem odeia pobre. Quando começasse o jornal, devia aparecer aquela mensagem ‘Este programa não é recomendado para pessoas que não sejam das classes A ou B”.

A Ana Paula Arósio grava comerciais para a Embratel, mas quando usa o telefone na minissérie “Um só coração” ela só ouve chiados: faz um 21, Ozória!

No comercial da caninha 51 você sempre ouve: “uma boa idéia”. Mas sabe que frase antecede isso, e que nunca ouvimos? “Quer uma cirrose, tome...”

O comercial do bronzeador Nívea nos informa que o produto dá uma atraente luminosidade à pele. Ou seja, você ganha poderes estroboscópicos! É chegar em casa e cancelar o fornecimento de energia elétrica!

“Tempo é dinheiro”, nas é este o lema do capital? Quando a Intelig te pede um tempo, já pode preparar o bolso...

A Globo faz um comercial sobre ela mesma e no final aparece: “Cultura. A gente vê por aqui”. Mas o meu controle remoto não falha, e a Cultura é em outro canal.

Agora ninguém supera os comerciais da Schincariol, ou pior, Nova Schin! Se vocês conhecerem estes publicitários, por favor, me digam: eles são sensacionais! Antes, nos comerciais, tinha aquele monte de mulher pelada. Nada mais sincero, ora, depois de umas não existem mais as feias. Aí o governo chegou e acabou com a graça. Depois veio aquela onde os bebedores da Schin fazem uma passeata pela cerveja – depois de uns goles a gente é capaz de defender qualquer causa. Aí chega o cara que troca o r pelo g – magavilha! Quando bebemos muito falamos um pouco arrastado, mas assim fica muito fácil, e eles não querem dar muito na cara. Então surge a pérola: quem bebe muita Schin tem crise convulsiva e levanta os braços. E avisam: beba com moderação. Duvido que já viu publicidade tão sincera por aí...

Vivo em primeiro lugar: no preço, nem se fala.

A Universidade Salgado de Oliveira quer que você suba na vida: nos elevadores panorâmicos de lá. Faça já a sua matrícula.

A garota não sabe, mas o Guaraná Antarctica entorpece. Ela não sabe se é gorda magra, burra, meiga, mas o refrigerante sobe pra cabeça rapidinho.

Elvis Presley teve uma carreira paralela, cantando músicas evangélicas. E, propositalmente ou não, a Tv Record usa uma música dele como fundo musical em reportagens sobre crianças, numa versão em teclado! O bebê já cresce doidão!

A Ana Maria Braga cheirou cocaína no seu programa, na frente de um policial federal, e não foi presa! Foi assim: o policial foi mostrar onde traficantes costumam esconder substâncias ilícitas, e era tudo povilho. Mas em um t (daqueles de tomada) havia cocaína pura, ela abriu o t e cheirou. Virou uma consumidora, fez isso na frente de um policial federal que nada fez e se tornou um cúmplice. Além de cinegrafistas, produção, e todos nós que assistimos. E ninguém denunciou. Agora a Luana Piovanni dá uma entrevista e afirma que fuma maconha pra relaxar, coitada, é escrachada em qualquer lugar que vai agora, e nem sequer arruma um bico por aí.

Provavelmente o comercial mais discriminatório que já vi foi o da Fiat, para anunciar o novo Palio. Mostra um detento em seu último dia na prisão, despedindo de colegas, arrumando suas míseras coisas, com uma música lenta ao fundo, tudo bem filmado, provavelmente em um presídio mesmo, comovente a situação do neo-liberto. Só que quando ele sai à rua, dá de cara com um novo Palio, e fica admirando-o. Então some a cena e entra a fala do narrador, e aquelas condições de pagamento que você jamais vai conseguir ler de tão pequenas as letras. Só que paralelo a isso, ouve-se o barulho de vidro quebrando, e um alarme de carro soando. Viva a teoria da pré-destinação!


(janeiro de 2003)

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