terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Você é um mulher ou uma homem?


O título não está errado. Nem a sua resposta, seja a primeira, a segunda ou as duas opções. O problema está em nossa mentes, em nossa sociedade e em tudo aquilo que molda nossos pensamentos. Essa maneira racionalista e metódica como imaginamos as coisas é influência ainda da Grécia Antiga. E lá as mulheres eram uma criação complementar dos deuses, vindo para auxiliar os homens, não eram consideradas cidadãs, daí não possuíam qualquer direito. Para os homens, não passavam de mero instrumento reprodutor, e o prazer sexual poderia ser obtido somente entre eles mesmos. Só não entendemos como a atual sociedade grega tornou-se tão machista, a ponto de condenar a filme “Alexandre” só porque o personagem se insinua para outro homem. Será se foi o cristianismo ortodoxo que fez isso?

Durante a Idade Média, quando o Igreja ascendeu ao poder temporal, o Vaticano igualou a mulher ao capeta, tudo era culpa dela: foi ela que comeu o fruto proibido (que não se sabe se era uma maçã), foi ela que seduziu Adão e o mundo estava perdido por causa dela. Instutuíram o celibato, mas a carne é fraca: é grande o número de eclesiásticos que são pais, que envolvem-se em outros homens ou até com crianças, que o diga o escritor Bernardo Guimarães (1825-1884) no livro “O Seminarista”. O jornalista italiano Fábio Canino afirma que no Vaticano há mais gays por metro quadrado do que em qualquer outro lugar do mundo. A Igreja castrou socialmente as mulheres, recolhendo-as ao ambiente familiar e atribuindo a elas os afazeres domésticos, para que não ficasse sem ter o que fazer em casa – “mente ociosa, oficina do diabo”. E ainda hoje percebe-se os resquícios daqueles tempos medievais na nossa sociedade ocidental.

Mas voltemos ao nosso título: o que você é, mulher ou homem? Se é mulher, por que é uma mulher? E os homens, será se são homens por causa da força da “espada” de Édipo, filho de Jocasta? Depois de observarmos alguns pontos das sociedades antigas, da muçulmana, da ocidental e de nações indígenas que tem mulheres como chefes ou realizando funções consideradas “masculinas”, percebemos que, além das poucas diferenças físicas, houve uma grande distinção cultural entre ambos os sexos, e foi uma dinâmica ideologizada que permitiu essa diferenciação. Nos tornamos mulheres e homens por uma questão cultural, são apenas termos, nomes que nos definem. Esse negócio de que o homem é grosso e racionalista e de que a mulher é instintiva e sentimental é tudo coisa que colocaram na nossa cabeça! E nesse mundo até as cores possuem um caráter manipulador: escolheram o azul para os homens e o rosa para as mulheres. Mas, pense bem: o que é azul? Tudo! - o céu o e mar!!! E rosa? Somente algumas rosas... Há anos as mulheres usam rosa (cor leve) e isso influenciou-as à calma e à submissão. E os homens não precisam mais do azul, cor pesada, depressiva, tornando-os depressivos e calculistas. Portanto, se quiser dar a sua colaboração para a mudança deste mundo, não se importe com a opinião dos outros e vista as mulheres de azul e os homens de rosa: eles precisam!!!

O que nós, mulheres e homens precisamos é só um pouquinho de compreensão: vivemos num mundo de diversidade cultural, em que nada é 100% puro: somos mulheres e homens mergulhados em conceitos e ideologias, bissexuais em maior ou menor grau. E não adiantar bancar a “mulher feminina” ou o machão: Freud e a psicologia contemporânea já alertam há anos que aqueles que se auto-proclamam como fêmea pura ou machão são, na verdade, homossexuais enrustidos. O homem é gerado no ventre feminino e de lá recebe, por 9 meses, todas as impressões e emoções de uma mulher. É por ela cuidado e influenciado por anos. E agora, vai admitir o que leu ou vai negar tudo e, dessa forma, acabar admitindo outra coisa???


(escrito em março de 2005)

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