segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

A esculhambação das aposentadorias


O pedido de R$ 1,6 milhão em aposentadoria retroativa para ex-governadores seria destinado a instituições de caridade, disse o senador Álvaro Dias (PSDB), que governou o Paraná entre os anos de 1986 e 1991. O senador pediu cinco anos de pensão vitalícia: 65 pagamentos de R$ 24,8 mil (incluindo o 13º salário). A aprovação do pedido ainda depende da Procuradoria do Estado. De acordo com Dias, a ideia de reverter a quantia em obras sociais vem desde 2007 e só não foi concretizada antes pois seria preferível esperar que a maré eleitoral acalmasse antes de recorrer ao Estado. Segundo Dias, ele não queria "fazer propaganda".

Do blog do Ricardo Kotscho

"A esculhambação das aposentadorias

A cada dia somos surpreendidos por novas revelações sobre esta esculhambação geral em que se transformou a aposentadoria vitalícia dos governadores, embora a Constituição de 1988 tenha eliminado as pensões para ex-presidentes da República.

A lei? Ora a lei… Pelo que estamos sendo informados, cada Estado fez a sua própria lei e teve gente que criou uma em benefício próprio, como o ex-deputado estadual Humberto Bosaipo (DEM), que governou o Mato Grosso por apenas dez dias e recebe R$ 15 mil de aposentadoria por mês.

Os casos se multiplicam pelo país: segundo levantamento da Folha, já são 135 beneficiados entre ex-governadores e viúvas, em 18 Estados, o que representa um gasto anual de mais de 31 milhões de reais e permitiria incluir mais 38 mil famílias no Bolsa Família.

Teve cidadão que governou por apenas 39 dias no Paraná, presidentes de Assembleias Legislativas que assumiram interinamente durante as viagens do titular, um outro que recebe duas pensões vitalícias porque o Estado do Mato Grosso foi dividido.

Tem de tudo, ninguém quer ficar de fora da boquinha. A campeã é a viúva de Leonel Brizola, Marília Guilhermina Martins Pinheiro, que acumula as pensões do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul, totalizando R$ 41 mil.

Agora, já tem até ilustres figuras do atual Senado, daquelas sempre muito preocupadas com a moralidade pública, como o franciscano Pedro Simon, ex-governador do Rio Grande do Sul, e o tucano Álvaro Dias, do Paraná, também querendo a sua parte.

Simon só pediu daqui para a frente, mas Dias quer também receber com efeito retroativo por cinco anos a aposentadoria de 24 mil reais, o que daria um total de mais de 1,5 milhão em atrasados. É uma farra.

Depois que os nobres parlamentares aumentaram em mais de 60% seus próprios salários, parece que abriram de vez a porteira do Tesouro Nacional, virou tudo uma festa do caqui.

O que será que esta gente pensa de nós? Que ninguém iria perceber? Que ficaria tudo por isso mesmo? Será que ninguém poderia doar nem um pouquinho desta grana para ajudar as vítimas da Região Serrana?

A OAB está se movimentando para denunciar e acabar com estes absurdos, mas no Supremo Tribunal Federal já repousam cinco ações de inconstitucionalidade sobre as aposentadorias vitalícias pagas a ex-governadores. Até hoje, só uma pensão foi extinta, a do ex-governador do Mato Grosso do Sul, Zeca do PT, em 2007.

Como diz o caipira, e nóis só pagando tudo… Na parte que me toca, posso assegurar que minha aposentadoria do INSS não chega a R$ 2 mil, depois de 46 anos de trabalho. Isto é o que se pode chamar de justiça social…"

Um comentário:

  1. Que tal assumir uma função por um único dia
    E garantir a aposentadoria que todo mundo gostaria?
    Pra você que tem 30 anos pela frente, um absurdo?
    E se já contribuiu por todo esse tempo, um insulto?

    Pois em alguns estados funciona assim, desse jeito
    Ex-governador, por um dia ou mil, garante esse direito
    Apesar da Constituição de 1988 ter vetado o privilégio
    Governantes ou dependentes mantém vivo o sacrilégio

    É por essa razão que a OAB vem contestar
    O assalto ao dinheiro público precisa cessar
    Porque além de questionável o merecimento
    Justiça social é necessária em todo segmento

    Se há desequilíbrio, pelos outros alguém vai pagar
    E no lado mais fraco, claro, a corda sempre romperá
    A previdência carece de ajustes em todas as esferas
    Garibaldi, novo ministro, nem sabes o que te esperas

    A reforma ignorada por FHC e Lula é urgente
    Mas ninguém encarou o problema de frente
    Se na política, até hoje, não há o que se comemorar
    Que ao menos na justiça a gente possa acreditar

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