sábado, 25 de junho de 2011

Petrobras e o filme Carros 2: temática infantil???

Este blogueiro, além de sujo, é pobre. Mas ganhei 2 ingressos que venciam em breve, e levei o Menino Mano Negra pela primeira vez ao cinema, fomos ver o "infantil" Carros 2. Teria sido ótimo, se não fosse tenebrosa aquela historinha - para adultos.
Como no Carros 1, o samba de fordismo e marxismo dançam juntos: os seres do filme são máquinas, carros e aviões que falam, bebem, trabalham e dormem. Desde as primeiras cenas não se percebe nada de diversão, mas de tensão (aqui começam revelações do enredo): um carro espião invade uma plataforma marítima de extração de petróleo (idêntica às que conhecemos da Petrobras) a fim de fotografar um equipamento da Máfia do filminho, que conta até com um "carro cientista" alemão, com sotaque e monóculo. Essa é a história paralela à do carro de corrida que sai de férias, é provocado por um adversário e retorna à competição para um desafio com um italiano. Se fosse seu filho, deixaria ele abandonar as férias para reviver uma rivalidade na escola? A comparação é bizarra, mas crianças nas salas do cinema diziam: "eu sou esse carro", ou "quero ser aquele carro". Já não bastasse o fim da infância e adultização precoce que vivenciam nossos filhos, agora eles querem "ser" carros.
A história então desanda para o lado da famiglia que é desmascarada somente no final do filme, em que os carros antigos da Máfia lutam por sabotar/explodir carros movidos a biocombustível, já que eles são a favor do uso de gasolina e constantemente se sentem ridicularizados por não terem evoluído. Tiroteios, "brigas", "tortura" e "morte" de carros acontecem durante a trama, que tem o desafio entre o carro estadunidense e o italiano como história principal. Quando as histórias se entrelaçam - a sobre a Máfia é sempre mal explicada, mas tudo se revela no final - o "carro empresário" que incentiva o uso de de biocombustível nas corridas é o mesmo que chefia a Máfia da gasolina. Daí ele resolve explodir carros biocombustível pois ele descobriu novas reservas de petróleo, e assim ele pode lucrar mais. Em associação, parece o Lula, que tanto fala de biocombustível, resolve abandonar o etanol porque descobriu a Bacia de Santos. Quem ler isso aqui falará que fiquei doido, mas por que uma empresa estadunidense como a Disney quis fazer um "filme infantil" com esse enredo? Logo os EUA, que invadiram o Iraque e apoiam a mudança de governo na Líbia (mas não na Arábia Saudita). O filme estreou no Brasil no mesmo dia em que os EUA ameaçaram incluir a Venezuela como "Estado patrocinador do terrorismo" (apesar de comprar petróleo deles), pelo fato de negociarem com o Irã (empresas dos Emirados Árabes Unidos, Cingapura, Israel e de Mônaco também negociam com o Irã, mas esses países não foram ameaçados, por que será?).
Pra não falarem que estou doido, uma das últimas frases do filme em que o biocombustível é abandonado é a seguinte: "uma vez gasolina, sempre gasolina".

Um comentário:

  1. Eu assisti o filme carros com meu filho de 7 anos , tive a mesma impressao que a sua. Acho que filme fala claramente do Brasil e do Etanol.
    Gostei muito do seus comentarios, é bom achar alguem que enxerga alem de uma tela.

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