domingo, 24 de julho de 2011

A mídia brasileira vai falar pouco (ou nada): Amy era judia, o terrorista norueguês era de direita

"Amy Winehouse nasceu em uma área suburbana de Southgate, bairro de Londres, numa família judia de quatro pessoas, com tradição musical ligada ao jazz."
E daí se era judia, a maioria das pessoas é ligada a uma religião. Alguns chegam a dizer que "ela não era ligada/não tinha religião" ou "não era PRATICANTE" (tenho medo do que seja judeu praticante). Mas nas biografias que a imprensa corre para fazer quando morre uma personalidade, nas descrições sobre a origem familiar sempre tem uma notinha sobre religião. Se for judeu, então, tem reportagem tenta explicar como a família sobreviveu na Europa do século 20 ou até traça a ligação hereditária com Moisés. Contudo, devido à vida que Amy levou nos últimos anos e às condições da morte, falar das origens dela soa como ofensivo ao 'sistema político judaico'. Porque o que queremos debater aqui não é a religião em si, mas ao caráter político que o judaísmo tem na mídia. Ninguém vai falar mal deles, né?

Sobre Anders Behring Breivik, imagine que ele fosse um muçulmano ou um imigrante morando na Noruega, o estrago que Veja/Globo estariam fazendo agora com o islamismo. Imagine que ele fosse ligado a um partido de esquerda: neste momento o senador Demóstenes Torres estava impetrando no Tribunal de Haia um ação acusando o PT de influenciar o atentado. Mas não: Anders se diz fundamentalista cristão, contra os imigrantes, e membro de uma organização de extrema direita. Algumas das vítimas participavam de um encontro de uma organização de trabalhistas... A imprensa estadunidense, britânica e espanhola fez imediatamente essa leitura política. Por aqui, nada - isso respingaria em nossos políticos conservadores. Ele acredita que os muçulmanos querem colonizar a Europa Ocidental, culpa as idéias “multiculturalistas” e do “Marxismo cultural” por incentivar isso e se se considera cristão, conservador, adepto da musculação e da Maçonaria. E aí, PSDB/DEMo/PPS, ninguém aí vai se pronunciar sobre o atentado?

Para finalizar, uma pergunta lançada por Paulo Henrique Amorim: "aqui no Brasil, quem se apropriou da doutrina da extrema direita (na eleição presidencial do ano passado)?"

Um comentário: