sábado, 13 de agosto de 2011

EUA e a pequena história de um PO(L)VO faminto


"Foram tempos difíceis quando a minha família migrou para a América, e costumavam usar uma expressão dos primeiros colonizadores portugueses no Brasil, “sem fé, sem lei e sem Rey”, visto que os índios não pronunciavam as letras F, L e R.

A minha família veio com o objetivo de ampliar seus horizontes para todos e em tudo o que alcançasse, e procurava sempre fazer suas alianças para prosperar. Adequamo-nos prontamente às leis de 76 e procurávamos conseguir terras e consolidar nossas propriedades. Devido às dificuldades de nossos vizinhos, compramos as terras deles e depois de um tempo tocávamos as águas de leste a oeste. Minha mãe comerciava muito e chegou a constituir uma verdadeira Comunidade. Ainda não éramos uma família influente, mas as pessoas que viviam do outro lado do mar, próximos à minha mãe, viviam em constantes brigas pelo poder político e econômico da região. Nossa intenção era consolidar terras por aqui mesmo, e apenas observávamos distantes a discussão entre eles. Os grupos se envolveram em Duas Grandes Brigas e minha família vendeu algumas ideias para ambos os lados. Mas os dois grupos saíram enfraquecidos e minha família se consolidou por toda a região oeste depois que, no início de agosto, demonstramos todo o nosso poder. Uma outra família, de sotaque estranho, resolveu cuidar das terras da parte leste. Tentaram implantar um sistema bonito na teoria, mas o praticaram de maneira errônea. O muro deles caiu depois de um tempo, e se dividiram em pequenos pedaços, mas um barbudo ali ao sul ainda insiste. O nosso relacionamento com eles sempre foi frio, frio. Mas cuidamos bem daqueles que tinham medo de nosso poder (aqueles de olhos puxados, vizinhos deles). Só nos demos mal com aquele pessoal monossilábico...

Daí ficou tudo para nós, e sempre procuramos administrar tudo democraticamente. Deixamos de produzir as coisas por aqui, para empregar mão-de-obra mais distante. Realizamos empréstimos para o bem dos outros grupos, mas todos se revelam péssimos administradores, pois nunca nos pagam. A maioria procura seguir a nossa cultura, imitamnos, mas às vezes surgem alguns subversivos, digo, alternativos, que se reúnem sempre no sul do Brasil.

Minha mãe, a Sr.ª Genebra, mudou-se para cá definitivamente após a Segunda Grande Briga. Era uma mulher de grande inteligência e conquistava todos com seu discurso, divulgando um grande projeto social. Minha família seguiu crescendo, apesar de alguns problemas internos, a exemplo daquelas vacas pretas que fizeram muito barulho, a Martinha Lutera Rainha e a Mal-que-come-Xuxa, que meus próprios amigos trataram de eliminá-las. Voltando à minha mãe, tinha o desejo de unir todas as famílias. Mas eu já estava grande, e já sabia o que era bom. Não queria deixar de lado tudo o que minha família construiu.

Tudo veio à tona quando aquele pessoal mediano invadiu um terreno particular. Eu já sabia de tudo antecipadamente, fiquei só acompanhando, e intervi só depois, quando os invadidos fizeram um acordo comigo. O invasor era um antigo amigo, fomos formados na mesma escola quando jovens, mas nos afastamos por motivos metafísicos. Eu me candidatei e os fabricantes de estilingue que me apoiavam deram uma força na contagem dos votos que ocorreu na casa de meu primo. Eu tinha que retribuir de alguma maneira. Só que não aguentava mais o discurso da minha mãe sobre paz, e simulei um queda das minhas duas antenas de tv. Culpei o pessoal mediano, pois assistiam muita tv e veneram aquele Papai Noel falso. É normal que meu capital passe por constantes crises, mas estava passando da hora de equilibrá-lo.

Assim me senti respaldado para eu mesmo ir lá embaixo e resolver a parada. Dizia a todos aquele pessoal mediano era como bem diziam os antigos colonizadores portugueses, que adoravam aquele deus de três letras, que a cultura deles estava errada e que o dirigente deles era um tirano, e somente eu poderia levar uma ‘liberdade duradoura’ a eles.

Ao chegar lá avistei um pequeno garoto com quem estudei na infância. Somos filhos do mesmo pai, que nos ensinou o bom costume do chá das 5. Mas não pensei duas vezes e, ao aproximar-me do meu colega, arrebentei-o. Minha mãe ficou desmoralizada e está falando até em reformulação. Então eu mesmo me apresentei à família do meu ex-colega para administrar os negócios e cuidar do território deles. Por enquanto está uma bagunça total, mas economicamente tem sido bom para toda a minha família. Aquele grupo que vivia brigando antigamente veio com um tal de Tribunal da Pena de Galinha Internacional, mas eu não assinei nada disso. Fiz tudo para o bem da nação, e o que quero mostrar é que os objetivos da minha mãe e os meus são os mesmos (se alguma coisa der errado, eu pelo menos não levo a culpa sozinho...). Esta é a pequena história de meu PO(L)VO, que de tanto querer alagar os seus braços, vai acabar se enrolando sozinho.


A interpretação da fábula está nos comentários. O narrador é o ex-presidente dos George Walker Bush, contando a história de seu país desde a vinda dos ingleses para a América do Norte.

4 comentários:

  1. __ A família são os ingleses, que vieram para a América com o objetivo de colonizarem e de se instalarem definitivamente. O pai, a Commonwealth (Comunidade Britânica), é uma associação de 54 países, totalizando quase 1/4 da população mundial. As leis compõem a Constituição estadunidense de 1776.

    __ Os vizinhos, que é o México, foi invadido e tomado até a costa oeste.

    __ As pessoas que viviam do outro lado do mar são os europeus, que sediaram as duas Grandes Guerras Mundiais, e os Estados Unidos permaneceram neutros na guerra até o ataque japonês que detonou Pearl Harbor. As ideias que vendiam eram armas. Só recebiam dos alemães à vista, pois sabiam que iriam perder, e depois não receberiam. Para os franceses vendiam a prazo, pois com a vitória destes teriam longos anos (e juros) para cobrar depois. Como a guerra foi longa e arrasou a Europa, que gastaria milhões para ser reconstruída, os EUA se consolidaram como grande potência mundial.

    __ A demonstração do poder foi atômica, em agosto de 1945, em Hiroshima e Nagasaki, por pura intimidação, pois a guerra já havia acabado.

    __ A parte ocidental ficou com os estadunidenses, e a família de sotaque estranho são os russos.

    __ O sistema bonito é o socialismo, em que Stalin usou uma brecha do marxismo para implantar uma tirania.

    __ O muro é o de Berlim, que veio junto com a fragmentação da ex-União Soviética.

    __ O barbudo é Fidel Castro.

    __ Relacionamento frio, Guerra Fria.

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  2. __ Aqueles de olhos puxados, vizinhos dos russos, são os japoneses, que serviram de base ideológica, militar e capitalista próxima à ex-União Soviética).

    __ O pessoal monossílabo são os vietnamitas. A língua deles parece que só tem palavras monossílabas... Resolveram aderir ao ‘socialismo’ e os EUA foram “salvá-los”. Se deram mal, perdendo a guerra para a natureza da região.

    __ A partir de 1989 formou-se a superpotência. Houve a expansão das multinacionais para os países pobres = mão-de-obra mais barata (ou escrava).

    __ Os empréstimos são através do FMI, que ninguém nunca irão conseguir pagá-lo (aliás, já pagaram demais, várias vezes). Os próprios EUA são os maiores devedores.

    __ O cinema é o grande impositor da cultura estadunidense.

    __ Os subversivos-alternativos são o pessoal do Fórum Social Mundial, que nas primeiras edições se reuniram em Porto Alegre.

    __ A mãe é a ONU, onde a segunda sede fica em Genebra, Suíça. A primeira fica em Nova Iorque.

    __ Os problemas internos: são os maiores consumidores de drogas, os que mais realizam abortos, maior população carcerária, os mais alienados, sedentários, obesos, neuróticos, bélicos, casam-se e divorciam-se rapidamente, egoístas, hipocondríacos, dedo-duros, habituados a culpar os outros por seus problemas, senhores do universo, donos do mundo, eleitos de Deus, polícia do mundo, agressivos com os imigrantes em vários quesitos...

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  3. __ As vacas pretas são Martin Luther King e Malcom-X, que lutavam contra a segregação racial nos EUA, e que foram misteriosamente assassinados...

    __ Pessoal mediano são aqueles do Oriente Médio. O terreno particular é o Kwait. Quando o Iraque invadiu o este país em 1991, os EUA já sabiam antecipadamente e, depois de um acordo com a família real, interviu em sua defesa.

    __ “Formados na mesma escola” – Saddam Husseim já estudou nos Estados Unidos, foi aluno da CIA e do FBI, colega de sala de Osama Bin Laden em 1984.

    __ Por colocarmos a palavra metafísicos, nos referimos à religião, aos urânios-235 e ao dinheiro (capital).

    __ Os fabricantes de estilingue são os fabricantes de armas que financiaram a campanha do Bush. Ele tinha que recompensá-los. O primo é Jeb Bush, governador da Flórida, estado que definiu as eleições que levaram W. Bush ao poder pela primeira vez. A contagem dos votos foi ridícula. Foram encontradas cédulas de votação até dentro de um banheiro público de Miami.

    __ Há várias teorias conspiratórias que afirmam que a Al Qaeda nada tem a ver com os ataques de 11 de setembro de 2001. na internet encontra-se vários artigos demonstrando como a CIA e o FBI são suspeitos dos ataques. O discurso da minha mãe sobre paz é a política pacifista da ONU.

    __ Papai Noel falso refere-se a Osama Bin Laden.

    __ O ataque ao Iraque não foi somente por causa de petróleo, mas para o equilíbrio do capital.

    __ Como ninguém assumiu a responsabilidade pelos ataques, os EUA podiam atacar a todos, com a desculpa de estarem defendendo a democracia. A primeira vítima foi o Afeganistão, agora o Iraque, depois...

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  4. __ Deus de três letras: Alá.

    __ O dirigente tirano é Saddam Hussein.

    __ ‘Liberdade duradoura’ foi o nome da campanha do ataque de Bush ao Iraque.

    __ Filhos do mesmo pai: os ingleses do chá das 5. Os EUA, pelas treze colônias, o Iraque, pois foi um país criado por aqueles no início do século XX.

    __ Minha mãe desmoralizada: afinal, pra que serve a ONU hoje?

    __ ‘Então eu mesmo me apresentei à família do meu ex-colega para administrar os negócios e cuidar do território deles’. É estranho você bater e depois querer educar.

    __ ‘Bagunça total’. O Iraque era pelo menos “organizado” – em termos, claro. Drogas como a heroína e a cocaína eram difíceis de serem encontradas em território iraquiano, mas voltaram a circular através de soldados estadunidense as que levaram para se “divertir” um pouco. Em pleno centro de Bagdá, as pessoas podiam deixar casas e carros abertos, sem o risco de serem assaltados. Tal delito era punido severamente.

    __ Grupos europeus chegaram a citar o Tribunal Penal Internacional, mas Bush o ignora.

    __ Bush afirmou querer apenas defender-se, mas fez isso atacando, levando a Inglaterra junto. Está se afundando, e talvez leve a ONU junto. Se houver uma lei de ação-e-reação, toda uma nação vai pagar caro por erros de governantes que priorizaram somente os seus bolsos e de seus grupos e familiares.

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