sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Como exercer política fascista no futebol: seja anti-corintiano

Há algum tempo o jornal esportivo Lance fez uma pergunta aos internautas: qual o time você mais odeia, tendo "nenhum" com uma das opções, mas o Corinthians levou esse título. O conturbado título brasileiro de 2005 é o grande impulsionador deste ódio, mas resolvemos enumerar alguns itens aqui:
1 - A alcunha "Time do Povo" por si só dá ojeriza a alguns políticos da Arena (PSDB/DEMo/PPS/TFP/UDN/Tea Party), não?
2 - Dentre os 30 milhões de torcedores, muitos pobres, pretos e outros marginalizados. Ou você acha que é grande a torcida de Palmeiras e São Paulo nas favelas paulistanas?
3 - A proximidade da atual diretoria do time com Lula e o PT, o que deve matar qualquer tucano de raiva.
4 - O puxa-saquismo da Globo e supostos auxílios que o time recebe da CBF.
5 - Uma certa despreocupação do corintiano com os outros - egocentrismo? Pra outros torcedores, ver o Corinthians perder chega a ser mais satisfatório do que ver o próprio time ganhar.

Daí que este blogueiro sujo começou a acompanhar os comentários de um jornalista, que quando é pra falar do Corinhtians... Trata-se de Mauro Cézar Pereira, da ESPN, filial da Disney no Brasil e parceira do jornal Estado de S.Paulo, aquele que declarou abertamente apoio a Serra (palmeirense meia-boca) e afirmou ano passado que Dilma era um mal a evitar-se. A conclusão que chegamos é que o exercício do anti-corintianismo é uma espécie de fascismo, uma oportunidade sutil de discriminar pretos, pobres, a esquerda, o PT, o Lula. Contudo, a direita kassab-tucana teve que se enroscar com o Corinthians este ano, para desenrolar e conceder benefícios fiscais para a construção de um estádio - que será do Corinthians! O comentarista da ESPN esbraveja todos os dias que se dá dinheiro para construir estádio, e reclama da falta de hospitais e de escolas, sendo que tucanos desgovernam São Paulo há 20 anos e "apenas" desmantelaram o Estado. Mas e quando o Estado constroi um teatro ou um centro de convenções, por exemplo, que geralmente depois é terceirizado e frequentado apenas pela burguesia, aí pode? Dessa forma, o jornalismo esportivo da ESPN, que se julga independente, acaba por confundir senso crítico com preconceito.

(sei que no texto há diversas generalizações, mas a ideia é demonstrar mais um preconceito arraigado contra aqueles torcedores chamados carinhosamente de, por exemplo, "gambás"...)

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